quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A alma

Cinco minutos depois jazes na minha cama.
Respiração profunda, pesada, não estás aqui…
Vagueias pelo mundo dos sonhos e na minha cama, deixaste apenas um corpo nú, despido de preconceitos, vazio de sentimentos.
Perdeste a tua alma faz muito tempo! Deixaste-a algures por aí, numa qualquer encruzilhada da vida, e há muito que desististe de a ter de volta…
Observo o teu rosto desgastado pelas agruras da vida… Suspiras…
Que sonho invadiu o teu sono, que te arranca suspiros enquanto dormes?
Que raio de sonho esse, que depois de te fazer suspirar, te inquieta, te faz estremecer?
Pudesse eu, entrar nesse teu mundo e afastar todas as preocupações, fazer-te sorrir mesmo enquanto dormes…
Pudesse eu, buscar por ti a tua alma e em escassos segundos devolver-ta-ia, para que com ela recuperasses o teu coração e te tornasses humano!
Já não te reconheço…
No lugar onde deveria estar o teu coração, para muitos apenas um músculo, para mim símbolo do amor, da vida, guardas apenas um espaço vazio, que ecoa constantemente a vontade de estar ocupado outra vez!
Nada?! Aí dentro não resta nada?! Ou é isso que queres fazer transparecer, com medo do que possas sentir?
Talvez tenhas apenas medo dos teus sentimentos, medo de te sentires vivo, talvez o maior receio de todos, é seres igual a tantos outros por aí, a sofrer males de amor!
Pudesse eu, afastar todos esses monstros que te invadem, que te fazer ser frio e distante, mas eles vivem dentro de ti e cabe-te apenas a ti expulsá-los, de vez, para que nunca mais voltem! Para que não te assombrem mais o pensamento, para que levem com eles as trevas que dominaram o teu coração.
Afasta os monstros, não por mim, por ti! Pela tua felicidade e procura de volta a tua alma, a tua essência!
Procura o que te faz feliz, está lá fora, por aí, à espera de ser encontrado, só precisas da coragem necessária para procurar!
Afasta-os não por mim, por nós! Para que possamos tentar de novo, tentar que desta vez dê certo, para que não sejas apenas um corpo nú, despido de preconceitos, vazio de sentimentos!
Aquieta a minha dor de te ver inquieto e procura o que há muito perdeste algures por aí…
E quando a recuperares, volta novamente para os meus braços, para o teu aconchego, para que possa contemplar-te enquanto dormes, sereno e feliz…


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